Thursday, August 28, 2008

Hun?
















Sei que se amanhã abandonasse o mundo e partisse para o azul desconhecido que só os crentes julgam existir, os vossos olhares sonhadores estariam na primeira fila de braço agitado e lenço a esvoaçar.

É estranho eu sei, só pensei nisto porque, não nascemos todos a saber que os sentimentos também podem ser dourados, prateados ou de latão e que às vezes só um ourives de óculos redondos e barba comprida distinguiria os autênticos dos contrafeitos.

Quando as luzes se apagam e a escuridão se infiltra por todas as gretas, eu não vos consigo ver, mas sei que estão aí.

Um destes dias (um solarengo) encontrei o ourives das barbas e ele disse-me:

- Nem tudo o que dourado é precioso, mas se te rodeares do que é precioso, verás dourar o carvão ou a espiga que ondula ao vento.

- Hun? - Consegui eu soltar.

- Obrigado - Gritei-lhe, mas a concentração já não lhe permitiu ouvir-me, admirava com toda a dentadura um pequeno diamante e indagava que corte lhe daria.

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